Segundo o levantamento do Conselho Regional de Corretores de Imóveis feito em 37 cidades do Estado, o mercado de imóveis usados paulista fechou o primeiro semestre em alta. O crescimento em vendas acumulado foi de 18,35%. E em junho, as vendas aumentaram 10,79% sobre maio.

O segmento de locação residencial também encerrou o primeiro semestre no azul, acumulando crescimento de 2,32% apesar da queda registrada em junho, de 3,26% sobre maio.

Outra boa notícia resultante da pesquisa feita com 912 imobiliárias cadastradas no CRECISP veio dos preços. O índice Crecisp, que mede o comportamento dos aluguéis novos e dos preços de imóveis usados negociados pelas imobiliárias pesquisadas pelo Creci nessas 37 cidades, registrou queda de 3,38% em junho e, nos primeiros seis meses do ano, de 5,56%.

“São números muito bons considerando a recuperação lenta que a Economia está apresentando até agora”, afirmou José Augusto Viana Neto, presidente em exercício do Conselho Federal de Corretores de Imóveis (Cofeci), ao comentar o desempenho do mercado de imóveis usados.

Ele acrescentou que o crescimento poderia ter sido muito maior “não fosse o desemprego que afeta aqui no Estado mais de 3 milhões de pessoas, o arrocho nas contas das famílias com reajustes de despesas inescapáveis como água e luz e as restrições para se conseguir um financiamento bancário”.

Viana Neto revelou, a respeito, preocupação com a decisão recente do Conselho Monetário Nacional que desobrigou os bancos de destinar 80% dos recursos captados em cadernetas de poupança para financiamentos imobiliários e ampliou o teto do valor dos imóveis financiados para até R$ 1,5 milhão.

Benefício limitado

“O suposto benefício para estimular a construção civil vai ajudar, talvez, a desovar estoques de construtoras que encalharam pois permite o uso do FGTS, e liberar os bancos de financiar os que mais precisam, além de retirar recursos das faixas mais necessitadas de financiamento”, criticou Viana Neto.

O presidente do Cofeci cita como exemplo as pesquisa mensais do CRECISP, nas quais mais da metade dos imóveis usados vendidos no Estado e na Capital se concentra nas faixas de valor médio entre R$ 300 mil e R$ 400 mil. Em junho, nas 37 cidades pesquisadas, 56,57% das unidades vendidas estavam enquadradas nas faixas de preço médio de até R$ 300 mil.

“O financiamento que se liberar para um único imóvel de R$ 1,5 milhão implicará em excluir do sonho da casa própria pelo menos quatro famílias candidatas a comprar imóveis mais simples e baratos, que é onde está concentrado o grosso do déficit imobiliário do Estado e do País”, enfatizou Viana Neto.

Mais vendidos

O comportamento das quatro regiões que compõem a pesquisa CRECISP foi marcado em junho pela forte expansão das vendas nas cidades de Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Guarulhos e Osasco. O crescimento foi 185,72% sobre maio.

Nas outras três regiões, houve queda no número de unidades vendidas: Capital (- 8,16%), Interior ( – 15,53%) e Litoral ( – 5,37%).

Segundo a pesquisa do CRECISP, a maioria dos imóveis usados vendidos pelas 912 imobiliárias pesquisadas – 50,36% – teve financiamento bancário. Outros 44,16% foram negociados com pagamento à vista; 5,11% com pagamento parcelado pelos próprios donos dos imóveis; e 0,36% por meio de crédito de consórcios imobiliários.

As vendas em junho distribuíram-se de forma equilibrada entre as casas (50,36% do total) e os apartamentos (49,64% do total). Os descontos concedidos pelos proprietários sobre os preços originais de venda foram de 10,14% para os situados em bairros de áreas nobres; de 9,44% para os de regiões centrais; e de 11,02% para os de bairros de periferia.

Casas são as preferidas

para locação em junho

As 912 imobiliárias de 37 cidades que o CRECISP pesquisou em junho alugaram 53,3% do total em casas e 47,7% em apartamentos. Em comparação com maio, o número de unidades alugadas em junho cresceu 7,38% na Capital, 16,08% no Litoral e 5,43% nas cidades da região do A, B, C, D mais Guarulhos e Osasco. Só caiu (18,56%) no Interior.

As imobiliárias pesquisadas receberam as chaves de imóveis em um total que representa 84,17% da quantidade de novos contratos firmados em junho. Os inquilinos desistiram da locação por motivos financeiros (48,89%) ou outros motivos, como mudança de endereço ou cidade (51,11%).

A maioria dos imóveis alugados em junho – 55,6% – vai custar aos novos inquilinos aluguel mensal de até R$ 1.000,00, segundo a pesquisa CRECISP. Mais de 70% das novas locações (70,89%) foram de imóveis situados em bairros de regiões centrais das cidades, com os demais distribuindo-se pelos bairros de periferia (21,36%) e de áreas nobres (7,76%).

Os descontos que os donos dos imóveis concederam sobre os valores que originalmente pediam foram de 9,38% para os situados em bairros de áreas nobres, de 11,46% para os de regiões centrais e 13,03% para os da periferia das cidades.

O fiador pessoa física foi a forma majoritária de garantia de pagamento em caso de inadimplência adotada na maioria dos contratos de junho, com 48,15% do total. Seguiram-se o depósito de três meses do aluguel (21,09%), o seguro de fiança (15,25%), a caução de imóveis (10,08%), a locação sem garantia (2,76%) e a cessão fiduciária (2,67%).

A inadimplência em junho aumentou 2,89%. Segundo a pesquisa CRECISP apurou, ela estava em 4,93% em maio e foi para 5,07% em junho.

A pesquisa CRECISP foi realizada em 37 cidades do Estado de São Paulo. São elas: Americana, Araçatuba, Araraquara, Bauru, Campinas, Diadema, Guarulhos, Franca, Itu, Jundiaí, Marília, Osasco, Piracicaba, Presidente Prudente, Ribeirão Preto, Rio Claro, Santo André, Santos, São Bernardo do Campo, São Caetano do Sul, São Carlos, São José do Rio Preto, São José dos Campos, São Paulo, Sorocaba, Taubaté, Caraguatatuba, Ilha bela, São Sebastião, Bertioga, São Vicente, Peruíbe, Praia Grande, Ubatuba, Guarujá, Mongaguá e Itanhaém.